sábado, 14 de fevereiro de 2026

Herscht 07769 «» László Krasznahorkai

 

É um livro denso, mas de fácil leitura se conseguirmos estar sempre atentos, porque basta que a nossa cabeça se desligue um bocadinho, e quando voltamos ao livro já estamos a ler sobre alguma caraterística absolutamente banal de outra pessoa completamente diferente, sim, este livro é um desafio de atenção, possui a "piada" de estar escrito numa única frase, que não é uma piada de todo, porque nos dificulta até descobrir onde paramos a leitura no dia anterior, mas dá uma musicalidade a essa leitura, à história e às personagens, personagens essas que, segundo a crítica, representam a Europa atual e permitem que se lhe faça uma crítica, à Europa, eu não fui tão longe, fui ficando cada vez mais agarrada ao livro e à história, e fui gostando cada vez mais do Florian, gostei, também muito, da ausência de preparação para momentos marcantes e da ausência total de dramatização, caraterísticas que estão frequentemente presentes em grandes obras, e uma coisa engraçada das grandes obras, que nos surpreendem em algum aspeto, é, por vezes, deixar em nós a vontade de experimentar o estilo, será que também consigo escrever numa única frase a crítica ao livro, é claro que não vou conseguir chegar aos calcanhares do mestre, que fez durar isso trezentas e setenta e nove páginas, mas também não tenho jamais a pretensão de ser um Nobel.

"apenas tenho esta atitude em relação às coisas porque não acredito na vida que nos querem impor, que é comprar e depois deitar fora, mas que vem a ser esse comportamento?, que forma de pensar é essa?!, perguntava, abrindo os braços, eu cá não sou assim nem vou ser, eu cá guardo as coisas, conservo as coisas, e as coisas recompensam-me, pois só assim é possível viver como deve ser, de outra forma não é possível, e ponto final,"


379 páginas

Cavalo de Ferro


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