quarta-feira, 8 de setembro de 2010

A SOMBRA DO VENTO ◊ CARLOS RUIZ ZAFÓN


A Sombra do Vento é um livro excepcional, classifico-o como o livro mais surpreendente e envolvente que já li.

Barcelona foi o cenário escolhido, a cidade ideal para fundir edifícios, pessoas, sentimentos e livros. Ao ler o livro consegui visualizar uma Barcelona misteriosa, coberta de nevoeiro, cheia de sítios assombrados e lugares secretos.

O livro escolhido por Daniel no mágico Cemitério dos Livros Esquecidos (A Sombra do Vento de Julián Carax) provoca uma mudança radical na sua vida. Histórias antigas são descobertas e com elas aparecem as suas personagens que necessitam de um caminho.

Carloz Ruiz Zafón surpreendeu quanto apresentou o seu primeiro romance para adultos. A sua escrita é fluida mas magnetizante e a história não é contada mas sim revelada. Por mais que o leitor tente desvendar os mistérios apresentados, faça suposições ou construa hipóteses, a verdade é sempre muito mais fascinante e surpreendente.

“- Este lugar é um mistério Daniel, um santuário. Cada livro, cada volume que vês, tem alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas sua páginas, o seu espírito cresce e torna-se forte. Há já muitos anos, quando o meu pai me trouxe pela primeira aqui, este lugar já era velho. Talvez tão velho como a própria cidade. Ninguém sabe de ciência certa desde quando existe, ou quem o criou. Dir-te-ei o que o meu pai me disse a mim. Quando uma biblioteca desaparece, quando uma livraria fecha as suas portas, quando um livro se perde no esquecimento, os que conhecemos este lugar, os guardiães, asseguramo-nos de que chegue aqui. Neste lugar, os livros que já ninguém se lembra, os livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando chegar um dia às mãos de um novo leitor, de um novo espírito. Na loja nós vendemo-los e compramo-los, mas na realidade os livros não têm dono. Cada livro que aqui vês foi o melhor amigo de alguém. Agora só nos têm a nós, Daniel. Achas que vais poder guardar este segredo?”

507 páginas

Dom Quixote


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terça-feira, 27 de julho de 2010

O ESTRANGEIRO • A QUEDA • ALBERT CAMUS


Em ambos os romances as personagens principais são homens com uma ausência quase total de sentimentos “nobres” e princípios morais, que não seguem o modelo normal da sociedade em que estão inseridos. As duas personagens foram propositadamente colocadas no limitar entre o bem e o mal e fiquei com a sensação que esse é o pior local para se estar.

N’O Estrangeiro temos uma personagem apática, cujas necessidades físicas se sobrepõem a todas as outras na maioria das situações. É como se a personagem vivesse “no ar”, noutro mundo, à parte de tudo o que a rodeia. Deixa-se levar pelas oportunidades e pelas pessoas que conhece sem fazer qualquer juízo de valor. Acaba por ser condenada pelo crime que cometeu e por todas as atitudes tomadas em sociedade.

N’A Queda a personagem que enche as páginas do livro é de uma complexidade interessante. Alguém que passa por várias experiências de vida sem mudar a sua postura evasiva e extremamente egoísta. Constrói uma teoria sobre a vida muito bem estruturada mas baseada apenas nas suas observações e vivencias. Encontra o seu lugar, separado de toda a sociedade, para onde arrasta quem cai na sua teia.

Albert Camus não perdeu uma oportunidade para manifestar o absurdo da existência, foi sem dúvida um grande escritor que retratou angústias da sua época e os dilemas e conflitos já observados por escritores que o precederam, tal como Franz Kafka e Dostoiévski.

Prémio Nobel de Literatura 1957

Livros do Brasil

A Queda: 116 páginas

O Estrangeiro: 118 páginas


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quarta-feira, 30 de junho de 2010

sombras queimadas ж Kamila Shamise


“Depois, ele e Harry colocaram lado a lado as histórias que cada um conhecia da sua família. Histórias de oportunidades recebidas (Sajjad encontrou, através de Konrad, uma maneira de sair do mundo restrito do negócio da sua família), lealdade oferecida (Hiroko recusou afastar-se de Konrad quando o mundo dela o transformou num inimigo), abrigo providenciado (por três vezes Ilse ofereceu a Hiroko um lar: em Deli, Carachi, Nova Iorque), força transferida (Ilse nunca teria deixado a vida que odiava se não fosse por causa de Hiroko), desastre omitido (James e Ilse asseguraram que Sajjad e Hiroko estivessem bem distantes da carnificina da Partilha). E – esta parte Raza e Harry não disseram em voz alta – segundas oportunidades (de serem um pai melhor, um filho melhor).”

A história dos Weiss-Burton e Tanaka-Ashraf aparecem lado a lado tal como o excerto o demonstra. São vidas intensas cheias de opções, alianças e amor.

O romance é viciante porque para além das interessantes personagens que contém retrata a destruição provocada pela bomba atómica de Nagasáqui, a agitação de uma Índia que se estava a dividir, o espírito americano renascido pelo 11 de Setembro e a beleza perdida do Afeganistão por causa da guerra.

Kamila Shamise fez-me gostar de quase todas as personagens e torcer pela felicidade delas…

Mas… não gostei do fim…

437 páginas

Civilização Editora

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