Pela forma como está escrito e pela história interessante que apresenta é impossível não ler este livro de uma assentada.
Mattia e Alice passaram, cada um deles na sua infância, por uma situação traumatizante que deixou uma marca irreversível. As suas vidas ficaram fortemente condicionadas por essa situação e quando se conhecem sentem que partilham da mesma solidão, do mesmo silêncio, do mesmo vazio…
Auto-mutilação, anorexia, homossexualidade e bulling aparecem de forma assustadoramente natural na adolescência destes jovens. A perspectiva apresentada por Paolo é interessante uma vez que não se procuram soluções para estes problemas apenas se apresentam vidas que vivem para além deles.
A Matemática aparece de forma atraente no título e na vida de Mattia, funcionando como um refugio e preenchendo-a quase por completo.
“Os números primos apenas são divisíveis por 1 e pelo próprio número. Estão no lugar que lhes é próprio na infinita série dos números naturais, esmagados como todos entre dois, mas um passo mais além relativamente aos outros. São números desconfiados e solitários e, por isso, Mattia achava-os maravilhosos. Por vezes achava que tinham ido parar por engano àquela sequência, que tinham ficado lá aprisionados como pequeninas pérolas num colar. Outras vezes, ao invés, desconfiava que também eles gostassem de ser como os demais, apenas uns números quaisquer, mas que por algum motivo não haviam sido capazes. O segundo pensamento surgia-lhe sobretudo à noite, no emaranhado caótico de imagens que antecede o sono, quando a mente está demasiado débil para mentir a si mesma.”
Bertrand Editora
265 páginas

