- Anastasia – disse, a despedir-se.
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Quando pego num livro espero que ele me envolva, me ensine... deixe algo em mim. Aqui estão aqueles que o conseguiram.

De 0 a 10…. 8
Sinopse:
Neste romance pleno de suspense de Naguib Mahfouz, um niilista ambicioso e amargo, uma estudante bela e pobre e um funcionário corrupto envolvem-se num ménage à trois condenado.
O Cairo dos anos 30 é palco de enormes desigualdades sociais e económicas. É também uma época de mudança, quando as universidades começam a abrir as portas às mulheres e filosofias revolucionárias oriundas da Europa agitam os debates entre os jovens. Mahgoub é um estudante ferozmente orgulhoso que está determinado a esconder dos seus amigos idealistas a sua pobreza e a sua falta de princípios. Quando se dá conta de que não há emprego para quem não tem conhecidos, concorda, desesperado, em fazer parte de um elaborado plano fraudulento. No entanto, o que começa como mera estratégia de sobrevivência depressa se transforma em muito mais para Mahgoub e a sua cúmplice, uma jovem de nome Ihsan igualmente desesperada. À medida que se movem na sofisticada alta sociedade, a sua frágil farsa começa a desintegrar-se e o terrível preço do pacto faustiano de Mahgoub torna-se claro…
Prémio Nobel de Literatura 1988
232 páginas

De 0 a 10…. 7
Sinopse:
Aquilo que começa como uma reunião sentimental entre um Oki Toshio a envelhecer e Ueno Otoko, a artista reclusa, acaba por se transformar numa sinistra vingança erótica. Pois Keiko, a jovem misteriosa e intensa que é amante e discípula de Otoko, está determinada a vingar a humilhação passada pela mulher mais velha - mesmo que isso signifique utilizar a própria beleza como arma. Movendo-se imprevisivelmente entre ternura e obsessão, serenidade e selvajaria, A Beleza e a Tristeza, confirma a reputação de Kawabata como um moderno mestre japonês que pode transformar o apertar de um obi em algo de infinitamente sugestivo e perverso.
Prémio Nobel de Literatura 1968
192 páginas
Dom Quixote

Não me atrevo sequer a comentar este tesouro. Deixo-vos o que vem escrito na lombada para aguçar a vossa curiosidade.
“Juan Rulfo (México, 1917-1986) é talvez o autor sul-americano mais comentado, elogiado e imitado do século XX. Toda a sua obra literária conhecida, que reunida pouco ultrapassa as 300 páginas, é considerada como fundadora, origem de uma nova forma de literatura, que deu lugar a escritores como Gabriel Garcia Márquez, um dos seus mais famosos e reconhecidos devedores. De Pablo Neruda a Carlos Fuentes, de Octávio Paz a Jorge Luis Borges e Juan Carlos Onetti, abundam os testemunhos de admiração dos seus pares e o assombro e desconcerto da crítica.
Em contraste com este enorme rumor a rodear a escassa obra de Rulfo, está o silêncio em que desapareceu o escritor desde a publicação, em 1955, de Pedro Parámo e até à sua morte, em Janeiro de 1986. Silêncio este apenas interrompido pela revelação esporádica, por parte de jornalistas, da iminente “saída” de uma nova novela, La cordillera, que acabou por ser tornar mítica. As tentativas de explicar esta prematura interrupção da escrita de um dos mais marcantes escritores contemporâneos no auge de sua fama contribuiu para aprofundar a «lenda Rulfo», não faltando comparações com a de Rimbaud.
Este livro oferece ao leitor português, num único volume, o essencial da Obra de Juan Rulfo. Os livros que o compõem, «O llano em chamas» (1953), «Pedro Páramo» (1955), e a novela póstuma «O galo de ouro» (1980), foram revistos tendo em conta a sua edição crítica mais recente.”
366 páginas
Poderá não ser bem verdade, mas esta afirmação mostra a grandiosidade desta obra.
Como muitas vezes me acontece, sinto-me muito pequenina para comentar as três partes que constituem O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel; As Duas Torres e O Regresso do Rei.
Na edição que possuo, como um tesouro, esta obra tem um total de 1301 páginas em letras bem pequenas, que contam a história da destruição de um anel que pode trazer a escuridão ao mundo…
… e esse mundo, repleto de hobbits, elfos, fantásticas criaturas e os simples humanos, está construído segundo a imaginação de JRR Tolkien que no mínimo não se esqueceu de nenhum pormenor para preencher todos os espaços com beleza, magia, graciosidade, força, imponência e grandeza.
Confesso que vi o filme primeiro e por isso sou da opinião de que as personagens estão bem escolhidas e que responde às descrições feitas no livro, mas sem dúvida que a obra é muito mais completa e há pormenores no filme que só os entendemos se lermos o livro.
Admito que não é muito fácil lê-lo… é muito descritivo e muito extenso…
Mas eu amo o fantástico, mundos paralelos, mundos imaginários, mundos mágicos que nos levam para outras paragens… li até ao fim e é impossível de avaliar…
“Três anéis para os Reis Elfos debaixo do Céu,
Sete para os Senhores dos Anões nos seus palácios de pedra,
Nove para os Homens Mortais condenados a morrer,
Um para o Senhor das Trevas no seu negro trono
Na Terra de Mordor onde moram as Sombras.
Um anel para todos dominar, um anel para os encontrar,
Um anel para a todos prender e nas trevas os reter
Na Terra de Mordor onde moram as Sombras.”
Publicações Europa-América
A Irmandade do Anel – 466 páginas download
As Duas Torres – 385 páginas download
O Regresso do Rei – 450 páginas download

Adorei…
Fez-me sentir tão pequenina… Eu que também sou professora, que também desejo que os meus alunos me ouçam e acompanhem, admito que não tenho metade da paciência e paixão de Sebastião da Gama tinha pela arte de ensinar:
“Primeira lei: acreditar no aluno. Se o campo é bom e se a semente é bem lançada, até uma inicial vontade de enganar a contraria, agindo no espírito do aluno a nossa boa-fé.”
“Ora tudo isto vem a propósito de aulas más. Aulas más são as que os rapazes não querem ouvir. Mas então – poderia eu defender-me – que culpa temos nós de os rapazes serem barulhentos, desinquietos e desatentos? É verdade que às vezes a culpa não é nossa: é toda deles, a quem mais apetecia estar na rua que na escola. Mas para isso justamente é que serve o bom professor – e o meu drama resulta de que a mim só me interessa ser bom professor. Ser bom professor consiste em adivinhar a maneira de levar todos os alunos a estarem interessados; a não se lembrarem de que lá fora é melhor.”
“Cada vez me apetece menos classificar os rapazes, dar-lhes notas, pelo que eles «sabem», Eu não quero (ou dispenso) que eles metam coisas na cabeça; não é para isso que eu dou aulas. O saber – diz o povo – não ocupa lugar; pois muito bem; que eles saibam, mas que o saber não ocupe lugar, porque o que vale, o que importa (e para isso pode o saber contribuir, só contribuir) é que eles se desenvolvam, que eles cresçam, que eles saibam «resolver», que eles possam perceber.”
Mas até mesmo Sebastião tinha as excepções… ficou mais humano aos meus olhos:
“Mas há casos em que as teorias têm de ser postas de parte. Com o Artur, é o acontece. Já experimentei tudo: zangar-me, mostrar que não passa de um palhaço, pedir-lhe em nome da minha saúde, de modo a comovê-lo, que tenha juízo. Tudo inútil.”
E não posso deixar de referir uma grande vantagem… o sonho de muitos professores:
“Graças a Deus e a outras pessoas inteligentes, não há agora, como houve até há meses, um programa rígido de Português que temos, quer queiramos, quer não, de impor aos nossos rapazes”
Atrevo-me a identificar algumas das minhas características:
“Eu nem sei como aprendi a gostar de ler. Talvez por uma predisposição interior, uma fatalidade.”
“Ora aqui têm uma coisa com que o aluno se não irrita: que o chamem de número. É a tal hereditariedade a que me referi. Em Setúbal, onde tive no ano passado coisa de duzentos alunos, eu sabia a certa altura o nome de todos eles;”
E por fim, duas frases… a grande bondade de Sebastião:
“O que eu quero é que sejam felizes”
“Bendito seja Deus, por eu ser professor!”
Edições Arrábida
261 páginas
Muito resumidamente… a Petra é uma pessoa muito colorida, que coloca profissionalismo e paixão em tudo aquilo que faz e que viaja na maionese quando tem que falar aos seus alunos, dos grandes escritores e das suas grandes obras.
Saramago é um grande escritor e o Memorial do Convento é uma grande obra, que a Petra, como professora de Língua Portuguesa que é, descreve plenamente...

By Petra Fernandes:
Memorial do Convento, de José Saramago é uma obra em três vertentes: a social, a histórica e a ficcional.
Saramago, nesta obra recorre a um momento da História e, em forma de narração alegórica, propõe uma reflexão sobre esses acontecimentos, sobre o comportamento e o destino humano e sobre um mundo onde há a magia do inexplicável.
O facto de existirem várias personagens que realmente existiram e que se misturam com personagens fictícias dá-nos a sensação de que esta obra se dirige à crítica da maior parte das personagens reais e à valorização das personagens fictícias que, não tendo existido, representam o povo (Baltasar e Blimunda).
Saramago descreve detalhadamente datas, locais e até mesmo horas de alguns acontecimentos históricos, mas o fio condutor da história é o amor de Baltasar e Blimunda e a construção da passarola. Baltasar e Blimunda vivem um amor sem regras e sem limites, instintivo e natural. Não há discurso amoroso, as palavras tornam-se desnecessárias quando o silêncio é rico de significação, quando entre os dois há apenas amor, paixão, gozo, cumplicidade, entendimento perfeito.
Blimunda é um elemento mágico não explicado, pois com os seus poderes mágicos «vê» as vontades, «olha» as pessoas por dentro e esta faceta de vidente confere-lhe um poder especial, que, inclusive, fará a passarola voar. A passarola constitui um símbolo de liberdade, mas igualmente de luz, de guia. Com a «recolha das vontades», combustível necessário para levantar voo, percebemos que, sem o querer humano, nenhum progresso científico, por si só, faz avançar o mundo.
No final da obra, a recolha da «vontade» de Baltasar por Blimunda marca a junção destes dois seres para sempre, o que demonstra que «o amor existe sobre todas as coisas».
Nesta obra Saramago pretende assim negar a ideia de que D. João V «ergueu» o Convento de Mafra, mas sim dar esse mérito ao povo e às vidas que por aquele convento foram sacrificadas.
Desejo a todos uma boa leitura, pois é uma obra muito rica e interessante! Não se vão arrepender «Vale sempre a pena se a alma não é pequena»
Caminho
359 páginas

Este foi o primeiro livro que li de Haruki Murakami e devo dizer que ficou em mim uma enorme vontade de repetir. Já li o livro há vários anos e por isso apenas recordo as linhas gerais da história e de algumas sensações que me transmitiu.
Mas é exactamente isso que eu gosto de fazer, comentar as sensações que um livro me provoca.
Este escritor, adora contar histórias estranhas com personagens ainda mais estranhas, ao longo do livro fui tentado encontrar uma linha orientadora, fui tentando perceber o porque de algumas cenas… mas admito que em alguns momentos foi difícil…
O surreal é uma das suas ferramentas, que sabe usar com mestria e sem limites, o velho Nakata perdeu a sua inteligência e ganhou a capacidade fantástica de falar com gatos, durante um acidente que sofreu na sua infância; existem chuvas de sardinhas, cavalinhas e sanguessugas e até o Coronel Sanders do KFC e Johnie Walker do Scotch Whisky fazem a sua aparição.
Quanto a Kafka Tamura, é um jovem de 15 anos, cheio de dúvidas e muito solitário, o livro apresenta a sua busca pelo eu com assassinatos e cenas de sexo à mistura.
Murakami choca com a sua falta de limites, mas a escrita é tão magnetizante que fiquei agarrada ao livro até o terminar.
" No dia seguinte, quando - acreditem ou não - desatou a chover sardinha e cavala numa zona do bairro de Nakano, o jovem policia ficou branco como um lençol. Sem qualquer aviso prévio, caíram das nuvens sobre a terra qualquer coisa como duzentas sardinhas e cavalas. O grosso dos peixes ficou esmagado e feito numa papa ao embaterem no chão, mas alguns sobreviveram, aos saltos e a estrebuchar pelas ruas, em pleno centro. O peixe tinha todo o ar de ser fresco e ainda cheirava a mar. Os peixes atingiram pessoas, carros e telhados. (...) Uma quantidade de peixes a caírem do céu como se fosse granizo - ora aí estava uma cena verdadeiramente apocalíptica."
590 páginas
Casa das Letras

A perspectiva de África que existe na Europa é no mínimo muito incompleta, para não dizer errada. Agora que vivo em São Tomé percebo que o caminho para África não passa pelas ofertas despropositadas de dinheiro, comida, roupa ou mesmo material escolar. A simples dádiva deve ser acompanhada de uma organização responsável e coerente.
Desde que aqui cheguei que sou cada vez mais exigente e aceito cada vez menos a falta de condições e meios para justificar os atrasos e o incumprimento das tarefas. É óbvio que eu sei que a falta de comida, a falta de energia, o calor sufocante, os baixíssimos ordenados são factores que condicionam a vontade de trabalhar, mas se os meus alunos algum dia quiserem sair do pequeno mundo a que têm acesso, têm que conseguir passar por cima disso tudo e de muito mais.
Este é efectivamente um continente de desigualdades que Pepetela descreve, usando o exemplo de Angola no livro “Predadores”.
A escrita é simples e directa, as várias vidas presentes no livro vão saltando do passado para o presente ou futuro, de forma a completar a evolução da família Caposo e das pessoas mais chegadas a ela.
Estão retratados os vários escalões sociais, as vantagens e os esquemas dos mais altos, as grandes privações a as lutas diárias dos mais baixos. De tudo o que é apresentado e existe o que para mim é mais injusto é falta de oportunidades.
“- Continuas então o mesmo comunista.
- Nunca fui, não sabia muito bem o que isso era no fundo. Julgava ser e julgava saber. Aliás, proclamava isso aos quatro ventos. Só mais tarde descobri, aquele comunismo que eu seguia, aquelas ideias generosas de todos iguais e ninguém acima do outro, não existia em nenhuma parte do mundo, era tudo uma tremenda mentira. No entanto, as generosas ideias de solidariedade para com os outros, não pretender explorar ninguém, lutar para que todos os angolanos tenham oportunidades semelhantes na vida independentemente do que foram ao pais, essas ideias ainda são as minhas. Se isso é comunismo, tudo bem, assumo. Mas pode ter a certeza, não é aquele que alguns pretendem impor aos povos pela força. Por isso não me ofende tratando-me de comunista.”
Dom Quixote

A crítica:
“Falar de Materna Doçura não é fácil. O livro não se lê, devora-se avidamente. Mas o embate inicial tem um efeito no mínimo paralisante, que vai do arrepio das primeiras páginas à emoção, em crescendo, que o leitor vai estando consciente de experimentar à medida que avança pelos meandros de uma história singular.” Expresso
“Materna Doçura é um romance a sério, magistralmente escrito e contado, onde se prefere a ternura ao escândalo.” “DNa” - Diário de Notícias
“Para muitos leitores, Materna Doçura, inolvidável romance de estreia de P. Cachapa, foi o Cú de Judas da década de 90, e muitos não hesitaram então – nós entre eles -, em augurar a P. Cachapa um futuro auspicioso semelhante ao que a década de 90 trouxe a Lobo Antunes.” Jornal de Letras
“Uma fluidez na construção efaboladora do enredo, a pausada apresentação das personagens e um ritmado andamento dos diálogos entrecortados transforma este romance de 300 páginas numa leitura singularmente devoradora de umas breves horas.” O Independente
“Materna Doçura é o romance de estreia de Possidónio Cachapa. Uma espécie de prisma de fim de milénio de onde irradia, poderosa, a insólita história de Sacha G., um filho obcecado pela mãe. Entrada fulminante na ficção portuguesa (…)” Público
O excerto:
“Já era tarde e Sacha não aparecia. Resignado, o Professor abriu o livro e leu o que Platão tinha escrito sobre as almas.
(…)
Um Ford branco passou, empurrado pelo ar, O Professor olhou-o de relance. O carro seguia, rápido, os vidros fechados e a carga amarrada no tejadilho.
Foi a mãozinha magra, a dizer adeus, que lhe chamou a atenção. E, mesmo sem lhe avistar os olhos de mar tempestuoso, o Professor soube que sacha ia naquele carro. E o seu coração disse adeus à Mãe e ao Filho, os dois ligados por um eterno cordão de amor.
E, de facto, nunca mais voltou a ver os dois juntos.
Especado, no meio do passeio, o Professor viu o Ford sumir-se, enquanto uma chuvinha fresca lhe molhava o cabelo.”
OFICINA
245 páginas

By Rita Viegas:
A pobreza do bairro Miraflorino de Lima, o amor e arte de Paris, a nova cultura de hippies e punks de Londres e a extravagância da cultura oriental de Tóquio são o pano de fundo para a vida de Odília, a chilena, a camarada Arlette, a Madame Robert Amoux, a Mrs. Richarson ou a Kurika, conforme a sua disposição.
“Travessuras da Menina Má” é, na minha opinião, um belo livro que retrata a cegueira e teimosia do amor, apesar de toda a dor que ele pode trazer. Conta a história da vida de Ricardito, um peruano, que persegue eternamente Odília com todo o amor possível e impossível, ao longo das vidas por ela inventadas para fugir à pobreza do Peru, sem nunca conseguir encontrar a verdadeira felicidade ao lado da mulher que ama.
Um livro que nos faz viajar e pensar. Com excelentes descrições das cidades e dos ambientes que nelas se vive, bem como dos sentimentos e emoções do pobre rapaz, amaldiçoado por este amor para toda a vida, numa escrita aparentemente simples mas cativante do início ao fim.
“Acordei por volta das nove da manhã. Já não havia sol. Pela clarabóia divisava-se o céu encoberto, cinzento, o eterno céu parisiense. Ela dormia, de costas para mim. Parecia muito jovem e frágil, com aquele corpinho de menina, agora sossegado, ligeiramente agitado por uma respiração leve e espaçada. Ninguém, vendo-a assim, teria imaginado a vida difícil que teria levado desde que nascera. (…) E como a teria tornado dura e fria ter de se defender com unhas e dentes contra o infortúnio, todas as camas pelas quais havia de ter passado para não ser esmagada nesse campo de batalha que as suas experiências a tinham convencido que a vida era. Sentia uma imensa ternura por ela. Tinha a certeza que a amaria sempre, para minha felicidade e também minha infelicidade.”
Prémio Nobel de Literatura 2010
D. Quixote
375 páginas

Quando eu leio José Luís Peixoto sou completamente empurrada para minha infância. Eu nasci e cresci numa pequena aldeia (agora vila) do Minho e por isso a minha ligação com a terra sempre foi muito forte. Eu brinquei na rua, andei aos pontapés às pedras, tenho montes de primos, passava muitos dias na casa dos meus avós, fui a pé para a escola todos os dias.
Lembro-me tão bem dos dias de chuva em que eu chegava a casa dos meus avós depois das aulas e tinha uma lareira para me aquecer. Lembro-me tão bem dos dias que passei no campo com o meu avô ou quando ia visitar a minha bisavó.
A minha infância não teve só estes momentos, mas são estes que sinto na pele quando leio José Luís Peixoto, parece que o velho, o antigo, o incerto e o cinzento acordam dentro de mim.
Por isso para mim a leitura é tão intensa…
“Livro” é só mais um livro, não acho que acrescente nada aos anteriores, não penso que isso seja mau.
Aqui fica um pequeno jogo presente no “Livro”:
“Indique os seguintes dados:
(1) Nome da sua mãe.
(2) Autor/a mais antigo que já leu.
(3) Título do último livro que terminou de ler (…).
(4) Primeira coisa que fez hoje ao acordar (infinitivo).
(5) Cor das cuecas que está a usar neste momento.
(6) Número do bilhete de identidade.
(7) Aquilo que vai fazer na próxima pausa da leitura deste livro (infinitivo).
(8) Área da sua casa (em metros quadrados).
(9) Erro que mais lamenta ter cometido (infinitivo).
(10) Lugar onde está (plural).
(11) Adjectivo que melhor caracteriza o penteado neste momento.
(12) Número de vezes que lava os dentes por semana.
Preencha os espaços em branco com as respostas anteriores:
Se algum dia tiver uma filha, hei-de chamar-lhe (1), como a minha avó. Não hei-de obrigá-la a ler (2), lerá apenas aquilo que escolher. Se encontrar um exemplar de (3) na sua mesinha-de-cabeceira, saberei que lhe transmiti a procura, o desejo de compreender o mundo. À margem disso, havemos de (4) juntos, assistiremos ao (5) do pôr do sol e hei-de dizer-lhe (6) vezes que a adoro. Hei-de dizer-lhe: (1), vem (7) com o pai. Ela há-de chamar-me pai. Dirá: vou já, pai. E quando chegar, terei um sorriso de (8) a esperá-la. Noutro dia, se ela me disser que teve vontade de (9), não irei recriminá-la, irei explicar-lhe que também fui assim. Estive exactamente no mesmo ligar que ela e estive noutros lugares, em topos de montanhas, em vales, em (10), e saberei respeitar todos os lugares onde estará sem mim. Serei (11) às vezes, serei tudo o que for capaz. Levar-lhe-ei (12) rosas no aniversário e uma travessa de arroz-doce, onde escreverei com canela: (1) e Livro.”
Quetzal
263 páginas